quinta-feira, 10 de julho de 2008

Sumir...

Tem dias que tenho vontade de sumir, mudar o rumo, trocar todas as coisas de lugar (inlcusive eu). As coisas ficam chatas, doloridas, doentias, tristes... é hora de mudança. Para a fase de transição procuro a solidão que é onde encontro meu norte. No silêncio e sozinha consigo encontrar as melhores estratégias para seguir meu verdadeiro caminho. Não sei se alguém me entende, mas lendo Cecília Meireles creio que ela me entenderia pois eu a entendi e consegui absorver deste poema o mesmo sentimento que tenho tido recorridamente...


Por mim, e por vós, e por mais aquilo

que está onde as outras coisas nunca estão

deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:

quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.

E como o conheces ? - me perguntarão.

- Por não Ter palavras, por não ter imagem.

Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras ? Tudo.

Que desejas ? Nada.

Viajo sozinha com o meu coração.

Não ando perdida, mas desencontrada.

Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.

Voou meu amor, minha imaginação ...

Talvez eu morra antes do horizonte.

Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.

(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão ! Estandarte triste de uma estranha guerra ... )

Quero solidão.

(Cecília Meireles)


Sinto que está na hora de parar um pouco e mudar tudo outra vez.


Imagem: O Grito - MUNCH, 1893.

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