Tem dias que tenho vontade de sumir, mudar o rumo, trocar todas as coisas de lugar (inlcusive eu). As coisas ficam chatas, doloridas, doentias, tristes... é hora de mudança. Para a fase de transição procuro a solidão que é onde encontro meu norte. No silêncio e sozinha consigo encontrar as melhores estratégias para seguir meu verdadeiro caminho. Não sei se alguém me entende, mas lendo Cecília Meireles creio que ela me entenderia pois eu a entendi e consegui absorver deste poema o mesmo sentimento que tenho tido recorridamente...
Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão.
- Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ? Tudo.
Que desejas ? Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão ! Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.
(Cecília Meireles)
Sinto que está na hora de parar um pouco e mudar tudo outra vez.
Imagem: O Grito - MUNCH, 1893.




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